Você já desconfiou de um medicamento manipulado por não ter marca famosa ou nem sempre vir embalado em caixas com logotipos conhecidos?
Pois saiba: essas fórmulas personalizadas, feitas uma a uma em farmácias magistrais, podem ser tão eficazes e seguras quanto os industrializados. E com vantagens únicas, quando feitos dentro da lei.
Segundo Karina Soeiro, farmacêutica, biomédica e coordenadora do Grupo Técnico de Trabalho em Farmácia Magistral do CRF-SP, cada fórmula manipulada passa por um controle de qualidade rigoroso —em farmácias sérias e com credibilidade—, que assegura que o medicamento tenha a mesma qualidade, segurança e eficácia de um industrializado, com o diferencial de ser ajustada às necessidades específicas de cada paciente.
Questionada sobre o registro deste tipo de medicamentos, a Anvisa disse que “manipulados são medicamentos personalizados, normalmente com doses ou forma farmacêuticas específicas para o caso do paciente identificado pelo médico. Assim, medicamentos manipulados não são registrados, pois não há viabilidade técnica para tal.”
“A eficácia de qualquer medicamento está diretamente ligada ao princípio ativo, a molécula responsável pelo efeito terapêutico, e não ao fato de ser manipulado ou industrializado”, explica Soeiro…
O Sindusfarma (Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos), por sua vez, que representa os grandes laboratórios farmacêuticos fabricantes de medicamentos, alega que “as normas às quais as farmácias magistrais estão submetidas são menos rigorosas, e até frouxas, ao contrário do que se dá com a indústria farmacêutica, cujos padrões de qualidade são elevados e monitorados permanentemente pela Anvisa. Infelizmente, além de estabelecer normas insuficientes para garantir a qualidade, eficácia e segurança dos medicamentos manipulados, a Anvisa não fiscaliza o setor como deveria.”
Sobre fiscalização, a Anvisa disse à reportagem que “mantém o monitoramento de farmacovigilâncias que tem entre suas atividades o trabalho de captar notificações feitas por pacientes ou profissionais de saúde a respeito dos medicamentos em uso no país. O sistema recebe tanto notificações de eventos adversos, que são suspeitas de eventos relacionados ao uso de um medicamento, como queixas técnicas que são relacionadas a alterações no produto ou irregularidades na empresa. Estas notificações são encaminhadas de acordo com a competência que cabe em cada caso. As vigilâncias sanitárias locais também são responsáveis pelo recebimento destas denúncias.”
Marco Fiaschetti, farmacêutico e diretor executivo da Anfarmag (Associação Nacional dos Farmacêuticos Magistrais) complementa: “O produto manipulado é feito sob medida, com foco terapêutico individual, respeitando intolerâncias e características específicas”. Todas as regras de produção foram determinadas pela Anvisa.
Fórmulas que contenham medicamentos sujeitos a prescrição, incluindo controlados, só podem ser produzidas mediante uma receita emitida por profissional habilitado, como médico e dentista. “Já medicamentos isentos de prescrição, alguns fitoterápicos, cosméticos e algumas preparações oficinais podem ser solicitados pelo próprio paciente ou prescritos pelo farmacêutico, conforme prevê a legislação”, afirma Soeiro.
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